ESSERE - Jóias Exclusivas



Desire Pearl Resorts & Spa Riviera Maya

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29 junho 2015

Talvez a maior reclamação feminina no sexo, para muitas, seja a dificuldade de chegar ao orgasmo. Os motivos são inúmeros e variam muito de mulher para mulher, mas sabemos que a sexualidade feminina é muito mais complexa que a masculina: é necessário que você esteja 100% confortável com a posição, com o ambiente, com o parceiro e com o seu próprio corpo. Ah, e o principal: dar atenção ao clitóris – é ali que a causación acontece. 

Outro fator que deve ser considerado é a posição, que pode estimular mais o prazer feminino ou não favorecer em nada.

 

Então, atendendo a pedidos das leitoras, listei aqui as 5 posições ideais para sua jornada às estrelas. Se joga nas dicas e depois me conta se deu certo :)

 

1. De lado

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Minha preferida para gozar (e sei que é a de várias amigas minhas também). É uma posição também super confortável (se não for a mais) e que facilita o acesso das mãos dele ao clitóris e aos seios – que também são importantes na busca pelo orgasmo.

 

2. Deitada ou sentada por cima

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Estar em cima é bom porque você ganha autonomia, podendo ditar o ritmo que for melhor pra você. Além disso, o clitóris fica super em contato com o corpo do parceiro e pode ser estimulado pelos movimentos do seu corpo ou pelas mãos (suas e dele). Eu particularmente não acho a ideal, porque prefiro estar com o corpo mais relaxado para gozar, mas tem várias mulheres que curtem.

 

3. Deitada embaixo e ele de pé

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Ficar deitada é bastante confortável, te deixa relaxada (e é muito importante para a mulher estar relaxada física e psicologicamente) e pode facilitar o orgasmo. É bacana que o cara não deite por cima, e sim fique de pé ou de joelhos, podendo estimular o clitóris com as mãos ou com um vibrador.

 

4. Posições que facilitem as mãos ao clitóris

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Homens que estão lendo esse texto: imaginem se uma mulher for transar com você e não tocar no seu pau ou tratar ele como coadjuvante? Então, é assim que a gente se sente se um cara não dá atenção para nosso clitóris porque ele é, para o corpo feminino, o equivalente ao pau para os homens. Got it? Se parece óbvio para você, parabéns, mas acredite, para vários essa explicação é beeem necessária. Mulheres: O clitóris é praticamente a chave do orgasmo e se o seu parceiro não sabe a importância dele, é preciso ressaltar que existe muito samba ali. Fale, pegue a mão dele e coloque ali durante a penetração. Ou estimule você mesmo, que também é ótimo.

 

5. Sexo oral

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Se mesmo com as posições acima você ainda não conseguiu chegar lá, não se desespere. Talvez você ainda não tenha achado uma maneira de ficar confortável o suficiente, mas nada que um bom sexo oral não possa resolver. Não tenha vergonha ou medo de pedir isso para o cara, o diálogo e a intimidade também são parte importante do prazer sexual. Para eles gozar é mais fácil, mas nem por isso o fim de uma relação sexual deve ser pautado pelo orgasmo dele. Ele gozou e você ainda não? Peça um sexo oral bem arrasante para você ficar feliz também. Não precisamos fingir (nunca fingir, isso deseduca os homens!) ou aceitar que não rolou e pronto – o trabalho é sempre em dupla.tumblr_m9utr1Q3cL1rsn117o1_500-7 (arrastado) tumblr_lymrioecmf1r93rbio1_500-11 (arrastado)

26 junho 2015

Imagine um filme erótico romântico, bem sensual e levemente dramático. Agora imagine tudo isso com cenas super explícitas e … filmado em 3D.

 

O filme Love (do diretor argentino Gaspar Noé) veio as telas com uma proposta inusitada. Há quem diga que causou choque e escândalo entre muitos jornalistas durante sua exibição no Festival de Cannes 2015, por ser dirty demais e não deixar nada para a imaginação. Mas quem queria mais cenas de sexo em filmes como 50 Tons de Cinza, vai poder se deliciar com esse longa, cuja história é baseada nas aventuras sexuais de um jovem e pretende agradar tanto mulheres quanto homens.

 

O filme estará em breve nos cinemas, e os cartazes são beeem safadinhos. Amooo! Vontade de botar na parede da minha casa:

 

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23 junho 2015

A indústria pornô é cheia de surpresas. Dessa vez, foi a vez do site mundialmente conhecido (sei que você conhece bem haha)  Pornhub liberar uma novidade um tanto quanto inusitada: a gravação de um primeiro filme pornô no espaço.

 

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Essa notícia deixou muita gente curiosa e literalmente pagando pra ver. O site liberou uma campanha virtual para tentar arrecadar US$ 3,4 milhões (cerca de 10,7 milhões de reais) em 60 dias, e arcar com os custos dessa superprodução. A campanha está disponível no site de crowdfunding Indiegogo e a grana arrecadada será direcionada a produção do filme, marketing, divulgação, equipamentos necessários para gravação no espaço, roupas especiais, entre outros fatores necessários para uma produção tão peculiar.

 

O filme terá o nome de Sexploration. E apesar de experientes, os grandes atores , que serão os protagonistas, terão que passar por alguns estudos e treinamentos específicos para trabalhar a quilômetros de distância daqui. Estar acima da superfície terreste implica em dificuldades com posições, contato e resistência física. Às vezes já é complicado achar uma posição boa aqui, imagina sem a ajuda da gravidade, né?

 

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Esse filme que promete levar todo mundo as estrelas, tem lançamento previsto para maio de 2016. To louca pra ver essa loucuragem!

 

19 junho 2015

 

 

Esse mês a Dior está lançando em suas lojas a coleção Esprit, clicada por um dos fotógrafos mais influentes do mundo: Nobuyoshi Araki. A galera da Dior confiou tanto na autenticidade e vibe autoral de Araki que o deixou participar até da escolha de modelos e looks, que trazem características sutis do trabalho do artista, como discretas amarrações e a presença de répteis. O trabalho de Araki ficou conhecido nos anos 90 pela causação atípica no mundo da moda: ele fotografava mulheres amarradas em poses eróticas, numa técnica conhecida por shibari. Amo as fotos dessa fase!

 

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Mas vamos falar do shibari que esse blog aqui é de sexo e não de moda. O Shibari é uma técnica japonesa de Bondage, que tem por base a imobilização de uma pessoa por cordas. Ela era usada ha muitos anos atrás para colocar reais prisioneiros em posição de submissão, até que com o passar dos anos ganhou um teor erótico e marcou presença no campo artístico. É uma técnica bastante ritualística e tem uma qualidade estética muito forte com nós feitos meticulosamente.

 

Já faz tempo que eu queria falar sobre shibari com vocês. Fiquei fascinada com o tema desde que conheci, no ano passado, um dominador na Cidade do México que me apresentou a técnica num workshop de BDSM  (sigla para Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo) que rolou lá. Ele me pendurou de cabeça para baixo toda amarrada e ali eu tive tantas sensações intensas que eu não sei nem colocar em palavras. Não chegou a ser sexual porque eu não consegui relaxar o suficiente para que aquela adrenalina virasse algo próximo do tesão mas eu entendi muito a força e a beleza do shibari e desde então tenho me interessado muito pelo tema. É uma das coisas mais artísticas e esteticamente belas do universo sadomasoquista, representa de uma forma muito poética a sutileza da dominação e submissão.

 

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Para que vocês entendam mais sobre o assunto, entrevistei aqui uma das referências em shibari no Brasil: Lord Bondage, também conhecido como Luis Shibari. Dominador, shibarista, proprietário da Arte Shibari Brasil, ele é também professor universitário, administrador de empresas, e está no meio BDSM há 14 anos.

 

Como você definiria a arte do Shibari? É a mesma coisa que Bondage?

 

Shibari é antes de tudo a busca de uma conexão através das cordas entre o shibarista e a parceira; é uma troca de sentimentos e emoções que fluem e vão aumentando de forma exponencial. É uma técnica japonesa de dominação em cativeiro com o uso de cordas específicas (normalmente de juta natural torcida, de 6mm, com 8 metros). Essa arte é a junção de algumas variáveis ocidentais – japonesas – que incluem: artes marciais (Hojojutsu); religião (Shintoísmo e Budismo); poder/política (punições públicas medievais), cultura (teatro, revistas e fotografias); filosofias (wabi-sabi e shodo), entre outras.

A palavra Shibari é proveniente da tradução do verbo atar em japonês, e é utilizada em contextos cotidianos do Japão sem nada ter com o BDSM, como por exemplo, amarrar um sapato. Porém, quando o “atar” tem como objetivo imobilizar/amarrar uma pessoa, provocando dor, torturas e sensações de prazer, aí entramos no contexto BDSM, e poderíamos também utilizar para tal a palavra “Kinbaku”.

Um japonês quando assiste a uma sessão de Shibari/Kinbaku pode falar naturalmente que está vendo um Bondage, mas nesse caso ele refere-se ao “bondage” especificamente como “escravidão com cordas”.

Então, bondage significa escravidão, cativeiro, servidão, e quando está relacionado às cordas, temos a grandiosa contribuição japonesa ao BDSM, que é o Shibari ou Kinbaku.

 

Shibari é geralmente associado ao BDSM. Sexualmente ele sempre precisa estar associado a esse contexto de dominação e submissão?

 

Eu gosto mais dessa forma, dentro do contexto D/s – Dominação/submissão. Mas essa é uma visão particular pelo fato que sigo a filosofia japonesa do Shibari, onde sua essência é a conexão pelas cordas, subjugando. Mas isso não invalida outras formas de se fazer o Shibari – como o artístico, por exemplo, expondo as formas, as curvas do corpo feminino e as suas expressões através da fotografia, que também pratico.

Há que se deixar claro que o legítimo Shibari é realizado no contexto de Dominação/submissão. Se um casal resolve praticar dentro de suas relações sexuais o uso de cordas para imobilizar sua(eu) parceira(o), sem existir a D/s, não está praticando Shibari, mesmo que use os nós e as cordas específicas, mas está sim praticando o Bondage (imobilizando), o que também não deixa de ser algo gostoso, ao contrário, tudo que um casal queira fazer, sem prejuízo à terceiros – e à eles mesmos – que permitam novas e boas sensações, é sempre válido.

 

Como você começou a se interessar por isso e como é seu trabalho como shibarista?

 

Meu interesse pelo Shibari se deu por duas vertentes. Sempre gostei de amarrar – desde o final da adolescência, apenas não sabia o que era isso (risos). Anos mais tarde quando vi as primeiras fotos (em revistas e depois na internet), descobri e me descobri!

Foram anos vendo muita coisa, apreciando, colecionando revistas e fotos. Depois comecei a adquirir as primeiras cordas e iniciar o processo correto de amarrações. Muita pesquisa, livros, até chegar à essência do Shibari. Não me considero um shibarista completo, mas sim alguém em constante aprendizado. A cada dia – mesmo depois de anos lendo, vendo, praticando – aprende-se algo novo. É excitante.

Meu trabalho hoje com o Shibari acontece nas seguintes linhas: sou o único produtor brasileiro de cordas de juta natural tratadas dentro do padrão Asanawa (termo japonês que significa cordas para Shibari); realizo cursos e workshop´s de Shibari tradicional – dentro e fora de SP – tanto para iniciantes como para praticantes mais avançados; faço apresentações em festas e eventos; e estou iniciando um trabalho fotográfico de Shibari, onde pretendo em breve transformá-lo em um livro.

 

Como a pessoa faz para aprender? Quais são os primeiros passos?

 

O aprendizado deve, antes de tudo, ser constante, para que cada vez mais você crie afinidades com as cordas. Hoje existem na internet vários tutoriais que ensinam algumas amarrações, desde as básicas até algumas mais complexas – o google é uma boa fonte de pesquisas. Conhecer alguém que já pratique é bom para troca de informações, e se possível, um curso ou workshop presencial, com alguém que domine a técnica – existem algumas dúvidas que somente a presença do professor/instrutor pode sanar. É imprescindível que os primeiros conhecimentos adquiridos sejam relativos aos aspectos de segurança do Shibari. Prazer sim, mas com segurança sempre.

18 junho 2015

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Paul McCartney, um dos caras mais fodas do mundo, nasceu há exatos 73 anos, no dia 18 de junho de 1942.  Acho ele incrível, não só pelo fato óbvio & grandioso de ele ser um Beatle e estar na ativa até hoje ou pelas belas músicas que marcam a vida de tantas gerações. Mas também pela posição dele perante vários temas, seu envolvimento em movimentos de proteção dos animais (ele é o maior representante do movimento Meatless Mondays), o valor que sempre deu à família e seu romantismo infinito (amo homens românticos!). Sua grande sensibilidade e devoção ao amor sempre foram características presentes em suas criações musicais, por isso, nessa pequena homenagem, nada como relembrar de alguns trechos das letras mais intensas que ele escreveu inspirado nas mulheres de sua vida. Happy b-day, Paul, seu lindo!

 

 

All My Loving

 

Canção inspirada no relacionamento a distância de Paul com a bela Jane Asher. Eles foram noivos durante alguns anos. A canção All My Lovin expressa um pouco da relação dos dois e ficou registrada no segundo álbum dos Beatles.

 

 

“And then while I’m away
I’ll write home everyday
And I’ll send all my loving to you”

 

 

And I Love Her

 

Asher ainda esteve presente em várias músicas da banda, algumas vieram a se tornar grandes clássicos. And I Love Her foi uma delas, em que o cantor escreveu mostrando que seu envolvimento com a atriz foi de corpo e alma.

 

 

“She gives me everything
and tenderly
the kiss my lover brings
she brings to me
and I love her”

 

 

My Love

 

Essa música foi inspirada em Linda Eastman que foi esposa, grande amiga e mãe dos filhos de Paul. Foi o grande amor de sua vida.

 

 

“Whoa-whoa, I love, oh-whoa, my love
Only my love holds the other key to me
Oh-whoa, my love, oh-oh, my love
Only my love does it good to me”

 

 

Let It Be

 

Música dedicada a Mary Patricia, mãe do cantor que infelizmente faleceu em 1956, enquanto ele ainda era muito jovem.

 

 

“And when the night is cloudy
There’s still a light that shines on me
Shine until tomorrow, let it be
I wake up to the sound of music
Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom, let it be
Let it be, let it be”
My Valentine

 

Mais recente, essa música é baseada no terceiro casamento de Paul com Nancy Shevell – a mulher que fez Paul voltar a sorrir depois de uma fase conturbada. A música foi lançada no dia de seu casamento em 2011.

 

 

“And I will love her for life
And I will never let a day go by
Without remembering the reasons why
She makes me certain
That I can fly”

17 junho 2015

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              (foto: Jorge Bispo)

 

“Transar ouvindo música não é exatamente a minha, me desconcentro se for música muito agitada ou que eu já conheça…”, me disse Chuck Hipolitho quando eu pedi para ele me falar sobre suas top 5 músicas para transar. Te entendo, Chuck. Ninguém nunca tinha dito isso aqui nas playlists, mas concordo – nem sempre música e sexo combinam. Se começa um bom solo de guitarra do Hendrix eu me desconcentro na hora de qualquer possibilidade de orgasmo.

 

Músico e produtor, integrante do Vespas Mandarinas e dono do estúdio Costella, Chuck já dirigiu programas na MTV, já foi vj da mesma emissora, já fez parte da banda (foda) Forgotten Boys e entende de música como poucos. Claro que ele tinha que contar aqui para o blog sua playlist sexual, né? Será que eu teria que chantagear ele com o vídeo daquele episódio no qual cantamos juntos em pleno palco do Festival Goiania Noise? Eu estava tocando com minha banda e ele cobrindo o festival para a MTV e centenas de pessoas na plateia nos viram gritar as palavras do mestre Iggy Pop em I wanna be your dog . Detalhe: eu e Chuck lendo a letra em uma tampa da caixa de pizza que a gente pegou no camarim. Chinelagens do rock, nos perdoe.

 

Mas não precisei chantagear. Ele foi um bom moço e liberou as músicas aqui pra gente.

 

Confere aqui as escolhas do Chuck!

 

 

 

Paula Toller – Derretendo Satélites

 

 

A música é o Herbert Vianna e imagino que ele fez para a Paula. Na voz dele eu acho mais sexy mas com ela o primeiro verso é na primeira pessoa e aí dá tesão na hora.

 

 

 

Pixies – La La Love You

 

 

Fiu-fiu… all i’m saying pretty baby la la la love don’t mean maybe… sexo com amor.

 

 

 

Velvet Underground – Heroin

 

 

Não sei se fala de sexo, talvez dê pra interpretar assim… mas é tipo transa boa. Tá quase gozando e para… desacelera e começa de novo com mais tesão. No fim explode e morre.

 

 

 

Lovage – Sex (I’m)

 

 

“Música feita pra transar com sua gata” é o nome do disco desse projeto do Mike Patton. Muito bom do começo ao fim.

 

 

 

Bruce Springsteen – I’m On Fire

 

 

O garoto classe operária fantasiando com a madame carente que mora no bairro nobre. Assim é o clipe. Essa música é bem sexy e o chefe sabe o que diz.

 

15 junho 2015

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Uma coisa curiosa sobre o resort Hedonism: ouvi muita gente ao meu redor falando que tirou coisas da sua ‘bucket list’ (lista de coisa a fazer antes de morrer). É no mínimo intenso estar presente nesse tipo de momento na vida das pessoas. E acho que isso diz muito sobre esse lugar tão livre e tão mágico no qual o prazer se apresenta de tantos jeitos diferentes. E explica muito sobre a intensidade das relações que rolam ali. Eu também tirei coisas da minha bucket list. Talvez até o final desse texto eu conte. Talvez não porque, como dizem lá, “What happens at Hedonism stays at Hedonism”…

 

O Hedonism fica na Jamaica rodeado de muita beleza natural e cheio de pessoas livres e nuas. Sim, é um resort com uma proposta hedonista no qual roupas são opcionais. O público varia entre vinte e tantos até sessenta, ou seja, adultos, todos muito conscientes da sua sexualidade. Alguns swingers, outros voyeurs, outros mais exibicionistas ou apenas casais que queriam um descanso de suas rotinas. O curioso é que todos ali tem vidas convencionais, filhos, trabalhos, responsabilidades, não é tipo uma-galera-muito-louca. Mas ali no ambiente protegido e livre do Hedonism eles se permitem viver uma semana ou mais de loucura, se desapegar dos pudores da vida real e se jogar na experiência mais hedonista que eles sejam capazes de viver.

 

“Esse lugar rejuvene a pessoa, a gente se sente desejado”, me disse um casal do Canadá enquanto conversávamos nus na piscina nudista.

Nessa área da piscina nudista voce só pode ficar se estiver compleatamente nu (pode ficar tranquilo porque é proibido levar câmeras ou iphone para essa área e todo mundo respeita a regra). Na praia particular nudista também. Se você quiser manter alguma peça de roupa precisa ir para o chamado “prude side” (lado puritano), onde tem uma praia e piscina nas quais roupas são opcionais. É engraçado porque as pessoas que vivem a experiência nudista falam com um certo desprezo sobre os que optam por circular só no prude side, relacionam esse lado a algo chato e sem aventura. Mas, believe me, eles estão certos porque a parte legal é a parte nudista, é lá que você vai encontrar as pessoas mais interessantes e viver a experiência completa. Tá na chuva é para se molhar, né gente?

 

Então eu estava nesse paraíso da Jamaica para passar oito dias. Detalhe: sozinha. Sim, eu sou a única pessoa louca o suficiente para me meter sozinha num resort libertino frequentado quase exclusivamente por casais. Passei meu primeiro dia tranquila, sozinha, escrevendo, curtindo a praia e arrisquei um tímido topless no prude side. No segundo dia comecei a fazer amigos libertinos e entender um pouco da filosofia do lugar. A maioria é “repeater”, como eles falam, ou seja, muitos já tinham ido muitas vezes. Das pessoas que conheci eu era a única que tinha ido menos de três vezes. Chamam o lugar carinhosamente de Hedo, como se estivessem falando de um amigo. É impressionante a conexão forte que as pessoas tem com o resort. Em meio a libertinagem rola um clima família (haha juro!) porque como muitos vão sempre, tem essa relação de carinho com os funcionários e entre os hóspedes acaba rolando uma relação de amizade real, que transcende a circunstância.

 

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Por falar em amigos fiz vários incríveis lá, minha mesa no jantar do segundo dia estava cheia de pessoas interessantes . Começando por um casal americano super simpático, apresentadores de um programa da Playboy Radio, os dois lindos, ela já tinha sido capa da Playboy americana e os dois juntos tinham participado de um reality show. Exaltavam muito essa vibe “sex positive” do lugar e me explicaram um pouco como as coisas rolavam lá. Outro casal ao meu lado tinha recém casado e estava passando a lua de mel lá. Tinha também uma russa linda e seu marido de Seatle. E um policial de Nova York com sua mulher porto riquenha. Esses últimos viraram meus grandes amigos, foram as pessoas que mais convivi no resort.

 

Existe uma rotina que se estabelece no Hedonism. Após o jantar (só comidas jamaicanas incríveis) tem sempre algum mega show que rola no salão do jantar mesmo (esse salão e a recepção são os únicos lugares onde não se pode andar nu). Não é necessariamente algo a ver com sexo, é algo sempre com um tema diferente, com dança, música e entertainers absurdamente talentosos (liderados por Winston, uma das figuras mais interessantes que encontrei lá). Depois todos vão para o piano bar que é uma das coisas mais legais do lugar. Tem o Dione que toca piano há anos no resort então conhece a maioria dos frequentadores. Todos ficam ao redor do piano naquela vibe estranhamente família que eu falei. Outra figura clássica do lugar é o Eldon que todos exaltam como “o melhor barman do mundo”. Tem uma menina que canta mas eles incentivam as pessoas a cantarem também se quiserem. E coisas ótimas & loucas acontecem. Exemplo: de repente uma mulher, uma hóspede que não fazia parte do show, sobe no piano e começa a dançar e fazer um strip ao som da música tocada. A galera vai a loucura. Ela tira as poucos a roupa toda, fica totalmente pelada, se solta como se estivesse fazendo um strip profissional – rebola, bate cabelo, fica de quarto e rouba o chapéu de um cara que está no público. Mega sexy. Depois dela, o tal cara com chapéu de cowboy que ela roubou se empolga e sobre no piano também. E faz um strip, fica completamente nu. A sensação de ver aquelas pessoas se libertando e sendo tão incentivadas e nada julgadas pelos outros ao redor é tão libertadora, tão inspiradora, que eu quase subi no piano. Mas não tive coragem, fica pra próxima ida.

 

Depois do momento piano bar tem sempre uma super festa temática que acontece em algum lugar do Hedo. A desse dia foi ao redor da piscina e o tema era Glow, as pessoas ganhavam coisas luminosas (nos outros dia rolaram temas como ‘school girl night’, ‘rockstar night’, etc E a maioria das pessoas se vestia a caráter). Música altíssima e gente vestida de acordo com o tema, outros apenas semi nus ou pessoas que ao longo da noite foram tirando algumas peças. Se permita deixar seu julgamento de lado e se jogue na proposta, mesmo que se a princípio não tiver a ver esteticamente com você. Vale a pena. Não tinha nenhuma unidade estética, cada um de um jeito completamente diferente do outro. Liberdade até nisso. Eu olhava tudo aquilo e ria de mim mesma lembrando que eu estava sozinha naquele lugar. Agradeci mentalmente minha mãe por me criar com essa autoconfiança bizarra que me permite viver essas coisas e fui falar com o cara gato de supensório de led ao meu lado.

 

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Depois da festa fui conhecer a sala chamada de playroom. Me disseram que era ali que o babado todo acontecia. E de fato é. Parecia a orgia do filme ‘De Olhos bem fechados’, do Kubrick, versão Jamaica. Entrei ali com meus novos amigos e me deparei com aquela estrutura perfeita para a causação. É uma sala grande fechada que tem no centro um espaço livre com pessoas em pé, bebendo, como se estivessem numa festa. Ao redor, camas no chão e pessoas transando enlouquecidas ou em preliminares empolgadas. Eram 2, 3 ou 4 pessoas juntas em cada cama. No fundo do lugar tinha uma parede de vidro, como se fosse uma vitrine e atrás mais duas camas para os mais exibicionistas que quiserem ser observados com mais destaque. E no canto uma cadeira que tinha um homem sentado e, ajoelhada na frente dele, uma mulher que chupava ele enquanto sentava em um vibrador fixo no chão.

 

Dia seguinte comecei a frequentar o lado nudista e nao parei mais até o final. É a coisa mais libertadora e divertida que já vivi. A praia é mais tranquila e a piscina é mais festa, um clima constante de pool party. As pessoas ficam conversando na água e curtindo o bar que tem dentro da piscina estruturado de forma que o outro lado do balcão redondo termine na praia. Entao ficam todos ao redor, bebendo e curtindo. Em alguns lugares dava para ver alguns casais mais empolgados, mas nessa área geralmente a causação não passa muito de brincadeiras e preliminares, não é uma trepação louca. Mas é um ambiente muito erótico. Estar nua em meio a tanta gente nua, depois que você se acostuma com a sensação, é muito sensual. E tem a massagem que você pode fazer nua também na beira da praia – experiência imperdível.

 

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Tem uma etiqueta sexual do lugar que rola subliminarmente: É um ambiente matriarcal, totalmente girl power. As mulheres que decidem tudo, que lideram as loucuras sexuais. Você pode vir a receber um convite de alguma mulher do tipo “Vamos para o playroom ficar só as meninas e os maridos assistindo?”. Mas claro que ninguém é obrigada a fazer nada nem vai se sentir mal se não fizer. Tem muitos casais que vão lá também apenas para estar nesse ambiente livre mas não se envolvem com ninguém mais. Os casamentos só se fortalecem no Hedo porque os casais se tornam cúmplices e isso traz uma aura respeitosa para toda causação.

Muitos me falaram que não era só sair pegando outros, que tinha que ter uma afinidade, um papo, etc. Mas para outros a experiência era diferente: tem a história de um casal que no ano anterior estava num canto da piscina nudista, ela chupando ele, e de repente chegou uma mulher e disse “Can I blow him?” (Posso chupar ele?). A namorada que chupava o cara, meio sem saber como reagir, disse “ok”. Nisso chega outra mulher e pede também “Can I blow him too?”. Resumindo, além da esposa, mais duas mulheres chuparam o cara. Lucky guy. Fiquei sabendo dessa história quando estava conversando com o tal casal e um cara passou, olhou para a mulher e disse: “Oi! Minha mulher chupou seu marido ano passado, lembra?”. Rimos muito. Coisas que só o Hedonism pode proporcionar para você.

 

Algumas conclusões:

 

Passado o primeiro ou segundo dia em que estamos com nossas armas e julgamentos ainda a todo vapor, parece que a gente entra num universo paralelo onde tudo é possível. A naturalidade com que falam sobre squirt, vibradores ou sobre a maneira como gozam ou não gozam é muito sincera e livre. Não é da forma fake que  muitas vezes vemos em mesa de bar, são pessoas reais lidando com seus corpos perfeitos ou imperfeitos, com suas maneiras diferentes de sentir a sexualidade, tudo tão humano e honesto que fica muito óbvio porque essa experiência melhora a vida sexual das pessoas.

 

Uma mulher me disse: aqui todo mundo se sente sexy por uma semana. E é verdade, todos se sentem sensuais não daquela forma publicitária, baseada em padrões pré-estabelecidos, performances e aparências, mas com aquela sensualidade única e individual que faz cada pessoa tão especial. Aquele elemento que não está na roupa que você veste, no seu estilo, nem no seu discurso inserido num determinado contexto social, dentro das paredes que você criou para você mesmo com suas escolhas. Ali você está está nu real e metaforicamente. E o efeito que isso tem na percepção de vida de uma pessoa é MUITO forte. Só vivendo para entender.

 

Claro que é muita intensidade para viver por mais de dez dias. Mas é uma experiência tão profunda que, ao sair dali, eu percebi que a frase “What happens at Hedo stays at Hedo” vai muito além do sentido óbvio de que as loucuras que acontecem ali ficam ali. O que acontece no Hedonism fica no Hedonism porque o que se vive nesse universo paralelo é quase impossível de colocar em palavras.

 

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(Os hóspedes geralmente deixam ali uma pedra com uma arte – feita por um artista local – com algo escrito ou desenho que represente sua estadia lá. Nessa foto eu estou colocando a minha)

 

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(eu antes de mergulhar. Nesse barquinho estavam também dois casais de ingleses completamente nus. Até o final desse momento mergulho eu não descobri ali quem era mulher de quem, aparentemente estavam todos juntos. Isso é muito Hedo haha)

 

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(em um relacionamento sério com o mar da Jamaica <3 )

12 junho 2015

Amo casais. Especialmente os que não se anulam, mas que se complementam e intensificam o brilho um do outro. Aqui, meus 5 casais preferidos de todos os tempos. Me contem quais são os de vocês!

 

 

Kate Moss & Johnny Depp

 

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Oh god. Difícil aparecer um casal mais cool que esse. A modelo e o ator estiveram juntos durante 4 anos, na década de 90, com um namoro intenso e de muitas indas e vindas. Kate diz que aprendeu muito com Johnny e sente falta dos momentos que passaram juntos. Quem não sentiria, né?

 

 

Serge Gainsbourg & Jane Birkin

 

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Hot, hot, hot. Gainsbourg era o feio mais sexy do rolê. Ele e Jane Birkin se conheceram no final dos anos 60. Gainsbourg era compositor, cantor, ator, diretor e poeta, e conheceu a gatérrima Birkin após seu namoro com a musa Brigitte Bardot. Causaram muita polêmica pela diferença de idade e a vida liberal que levavam mas se tornaram casal-ícone dos anos 70, e juntos lançaram o álbum “Jane Birkin – Serge Gainsbourg”, com duetos e performances que envolviam notas e gemidos. Quem não lembra de Je t’aime moi non plus? Adoro parcerias criativas entre casais, meus melhores relacionamentos envolveram essa mistura de amor & arte.

 

 

Sean Lennon & Charlotte Kemp Muhl

 

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Filho de John Lennon e Yoko Ono, Sean conheceu a modelo e cantora em 2006, no Music and Arts Festival Coachella Valley. A partir desse encontro Charlotte começou a se interessar mais pela música e os dois seguem juntos num relacionamento repleto de música e estilo. A banda deles, The Ghost of a Saber Tooth Tiger , é uma delícia para os ouvidos e para os olhos (quem já viu uma apresentação da dupla sabe o poder magnético daquela mistura sexy meio rock meio boho).

 

 

Sartre & Simone

 

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Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir talvez sejam o casal que mais causou no século 20. Ele filósofo, ela feminista. Os dois sexualmente hiperativos. Suas mentes geniais voavam muito mais alto do que a época em que viviam, e tiveram inúmeras conquistas: escreveram peças de teatro, romances, obras filosóficas, entre outros projetos que exploravam sempre pensamentos revolucionários. E na cama a revolução acontecia também: eles dividiam amantes e tinham um relacionamento aberto que inspirou muita gente na época.

 

 

Jeff Koons & Cicciolina

 

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O casal ficou efetivamente conhecido depois da obra Made in Heaven, de Koons. A obra consistia numa série de pinturas, serigrafias e esculturas que retratavam momentos beeeem íntimos dele com a atriz pornô Ilona Staller – que foi sua esposa durante um ano. A obra fez sucesso com o público mas foi muito criticada por alguns artistas na época, por mostrar cenas de sexo explícito, objetificar o corpo feminino e pela linguagem cafona. Mas eu amei, achei subversiva e até me rendeu umas boas reflexões como a desse meu texto aqui (leiam!)

10 junho 2015

Gente, let’s face it: o mundo tá virando bissexual, e as celebridades que o digam! Seja por modinha ou por real curiosidade, especialmente as mulheres estão curtindo bastante essa onda (vou falar mais disso na minha próxima coluna na Vip).

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A mais nova celeb que se revelou bissexual, foi a ousada Miley Cyrus. A cantora foi escolhida para estampar a próxima capa da revista Paper (quem se lembra daquela capa com Kim Kardashian segurando uma taça de champagne com a bunda? Bom, que a revista gosta de uma causação, não temos dúvidas).

 

Miley não cansa de provar que seus dias de Hanna Montanna ficaram num passado bem longe daqui. Nas fotos que ilustram a matéria, ela aparece praticamente nua, apenas com um tapa-sexo e os seios pintados com tinta colorida, ou totalmente a mostra. Em uma das fotos (a da capa, inclusive) ela está nua, suja e abraçada com o seu porquinho de estimação, Bubba Sue. Miley sendo Miley.

 

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A cantora também deu uma entrevista para a Paper, não só contando sobre sua bissexualidade mas também sobre seus projetos sociais, sua ONG “Happy Hippie Fondation” a favor da causa LGBT, e também o veganismo que teve início no ano passado. Miley surpreendeu ao mostrar que definitivamente cresceu, não só em relação ao seu próprio corpo e mente, mas também por sua preocupação em construir uma sociedade melhor.

 

Clicadas pela fotógrafa Paola Kudacki, as fotos foram divulgadas nessa terça (8). E o destaque da entrevista ficou para o trecho em que Miley revela que se considera bissexual desde os seus 14 anos, e que nesse meio tempo teve casos com mulheres apesar de só ter aparecido na mídia de mãos dadas com homens: “Eu estou aberta a qualquer coisa que for consentida, não envolva animais e as pessoas sejam maiores de idade. Qualquer coisa que for legalizada, eu topo. Sabe, eu topo qualquer adulto – que for maior de 18 anos e esteja disposto a me amar”. UI!

 

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9 junho 2015

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A filósofa Márcia Tiburi é foda. Simplesmente porque ela coloca a filosofia onde ela deve estar: na ação. E a tolerância e compreensão que ela tem com ideias diferentes fazem dela uma pessoa muito agregadora. Lembro que em 2012 palestramos juntas sobre o pós-feminismo no evento Rock e Filosofia no CCBB SP (assista aqui )e discordamos em muitos pontos ao longo do debate. A maneira elegante e inteligente com a qual ela lidou com nossas discordâncias foi tão interessante – diferente de alguns filósofos que ficam enclausurados em suas certezas estáticas, ela entende o poder da dialética para a evolução de uma ideia, de uma sociedade. É assim nas palestras dela, era assim no programa Saia Justa quando ela era uma das apresentadoras e está sendo assim com seu novo projeto que está conseguindo reunir todas as vertentes do feminismo no país.

 

O projeto: um partido feminista, que ela chama de #partidA.  “A ideia é que as reuniões proliferem e que as pessoas usem a #partidA como movimento feminista para construir fóruns, plataformas, ações em geral. O que a #partidA quer é empoderar mulheres para a sua participação na política institucional. Seremos um partido político para isso, ainda que esteja em aberto a discussão sobre o sentido disso.”, ela explicou. O movimento esta se espalhando de uma forma incrivelmente rápida, já está sendo marcada outra reunião em SP por pessoas que são de outras regiões da cidade, no Rio, em Porto Alegre, Goiânia. “A ideia é ainda que não existam líderes em sentido personalista, mas que as pessoas do #partidA empoderem umas às outras. Imagine poder criado a partir de diálogo em que todo mundo se autorepresenta numa metodologia dialógica. Em que cada uma cria a outra como potência. É a Revolução.”

 

Confere aqui a entrevista que ela deu para o blog contando tudo sobre o #partidA

 

 

Me conta como foi o encontro aqui em São Paulo, acabei não conseguindo ir, to super curiosa!

 

A reunião no Rio no dia 25 de maio foi linda. A reunião em SP foi maravilhosa. Um clima feminista de fazer política: afetivo, generoso, colaborativo, compreensivo. Sem disputa. Foi no Espaço Revista Cult, tinha gente sentada no chão. Aliás, quase todo mundo. Ali, as pessoas falaram o que pensavam e sentiam em relação ao estado atual da sociedade e o papel político e cultural do feminismo. Havia um diálogo real. Feministas históricas como Amelinha Teles, como Inês Castilho, como Ana Reis, Solange Padilha e muitas outras estavam ali prontas a conversar com as novas gerações. E todo mundo estava querendo conversar. Tinha gente do ABC, do interior, do Rio. E o clima geral foi de apoio à criação do Partido Feminista, ainda que haja muita consciência e, por isso, muita crítica em relação à forma partido. Ao mesmo tempo, a consciência de que o poder não pode mais ficar onde está é igualmente forte. De que é preciso chegar onde o poder de decisão está, ou seja, no governo. As mulheres são sub-representadas no Legislativo e no Executivo. Também sofrem em seus partidos que são sem exceção machistas em um sentido estrutural. Somente um partido feminista pode mudar esse cenário real.

 

 

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Há muita discordância, às vezes até brigas, entre diferentes tipos de feministas hoje em dia, especialmente as duas vertentes que podemos identificar com mais clareza, as radfem e as libfem. O que você acha disso?

 

Eu vejo todas as formas de feminismo como social e historicamente necessárias. Acho que a existência de vertentes é sinal de que existem contradições sociais, teóricas e práticas. Não vejo que precisemos de um feminismo único, ou na forma de um pensamento único. Ao mesmo tempo, algo que une essas tendências é o feminismo como ético-política, como defesa de uma sociedade justa em que mulheres – e outras individualidades e grupos excluídos do poder – estejam inclusas. Acredito no diálogo. Como filósofa, penso que a grande contribuição da filosofia para a nossa época é justamente a proposta do diálogo. Plantar diálogo no mundo é a nossa tarefa histórica. No caso, essas vertentes opostas trazem, cada uma à sua maneira, questões sobre as quais devemos pensar. Abrir-se ao ponto de vista da outra é, a meu ver, um gesto urgente. Ao mesmo tempo, um feminismo mais tenso, mais nervoso, mais irritado, também me encanta, coisa que eu, por minha natureza, não pratico. O feminismo sempre foi voltado à singularidade e ao diálogo, mas as formas de diálogo podem ser sempre postas em discussão.

 

 

 Como surgiu a ideia de um partido feminista?

 

Prestando atenção no lugar político das mulheres percebe-se uma histórica subalternidade. As mulheres sempre estiveram em segundo plano. Sempre foram proibidas de participar da esfera pública e do poder constituído. Sempre foram proibidas do voto e da auto-representação. Vemos que a situação das mulheres em relação ao poder e ao governo, não mudou muito ao longo da história e, se levarmos em conta, o fato de que do começo do século 20, quando certas mulheres entraram na justiça pelo direito ao voto, até hoje, as mudanças na política institucional não foram muitas (temos apenas 10% de cargos parlamentares composto por mulheres), então é evidente que a coisa vai mal. As mulheres continuam longe do poder, ao mesmo tempo, estão no mercado de trabalho e sempre segurando as barras econômicas e sociais mais variadas. Empoderam-se economicamente, acessam a universidade, sobem nas estatísticas acadêmicas, em muitos casos estamos superando a fantasmagoria opressiva do machismo, mas não mudam as condições em termos de política. A criação de um partido tem como fim entrar de cabeça na disputa por cargos, espaço, governo. A meu ver, feministas (e a maioria das feministas são mulheres e não homens) devem governar para que tenhamos direitos das mulheres (e das minorias com as quais as mulheres partilham uma história de opressão) como prioridade na política. Mas não apenas isso. O feminismo é outra forma de poder, é potência dialógica, participativa e solidária. Um poder diferente, um poder outro. Voltado ao outro, aos excluídos e, ao mesmo tempo, razoável e prático, voltado à construção de uma sociedade sem violência. Chamo isso de Revolução, porque o feminismo foi a única que vem dando certo. É hora de organizar essa Revolução na direção de um salto histórico.

 

 

Como você definiria o #partidA?

 

A #partidA é um movimento que já está acontecendo. Nasce já provocando porque muitas pessoas acham absurda a ideia de um partido feminista, como sempre se pensou em termos aliás masculinistas, o feminismo um absurdo. É que o feminismo está por demais ligado à proibição vivida pelas mulheres de estarem na política. O feminismo sempre foi antagonista do patriarcado e por isso sempre incomodou. Estamos confrontando essa estupidez histórica. Estamos confrontando e ressignificando a ideia tradicional de partido. Por que o feminismo nunca foi, nem será, algo tradicional. Por isso, a #partidA é um movimento no sentido de um começo novo que estamos dando a nós mesmas e a toda a sociedade brasileira.

Estamos em um momento precioso, em que cada participante é convidado a inventar a #partidA. Como movimento sua qualidade é o encontro em nome de uma democracia feminista, não uma democracia de fachada, mas uma democracia concreta em que cada participante dialoga, pensa, conversa e faz junto com os outros. A metodologia é o diálogo. Daí tomaremos decisões em conjunto. O afeto que rege a conversa é a alegria, porque ela é a força revolucionária, anti-fascista, aberta à singularidade e à diferença. Falo coisas mais teóricas pra quem se interessar no meu blog aqui e aqui.

A Carla Rodrigues, professora da UFRJ, também escreveu algo legal a partir do #partidA

 

 

O que devem fazer as mulheres que estão interessadas em participar desse movimento ?

 

Devem escrever pra gente, pelo Facebook, pelo Twitter, por e-mail. Por enquanto, não temos nada oficial, porque queremos antes ter a nós mesmas. Eu recomendaria que as pessoas perguntassem pelas redes sociais, “onde está a #partidA? Ela vai nos achar. Podem entrar em contato com alguém do grupo, eu ou outras pessoas. Podem mandar uma mensagem informal que vamos nos apresentando e inventando juntas. Por fim, podem também mandar mensagem para: contato@marciatiburi.com.br que vamos inserindo nas conversas.